Um dos mais importantes nomes da arquitetura moderna, Oscar Niemeyer festejou, no último dia 15, 104 anos. Para celebrar a data, o arquiteto fez o que mais gosta: trabalhou. O arquiteto já concebeu mais de 600 projetos ao redor do mundo e atualmente dirige importantes obras como a renovação do Sambódromo do Rio de Janeiro, que será adaptado para os Jogos Olímpicos de 2016.
Entre suas obras mais conhecidas estão os edifícios públicos que desenhou para a cidade de Brasília e a sede das Nações Unidas e o edifício Copan. Este último, no centro de São Paulo, ostenta a maior estrutura de concreto armado do Brasil. Entretanto, muitos outros importantes edifícios existentes no Brasil e no mundo foram projetados por esse gênio.
Idealizada pelo então presidente Juscelino Kubitschek, Brasília foi construída na velocidade de um mandato presidencial. Durante esse tempo, Niemeyer foi responsável por desenvolver a arquitetura dos prédios da cidade. O plano de Brasília ficou a cargo de Lucio Costa, amigo e ex-patrão do arquiteto. Entre as obras criadas por Niemeyer está o Palácio da Alvorada – residência do presidente da república –, o Congresso Nacional – onde estão a câmara dos deputados e o senado -, a Catedral de Brasília, o Palácio do Planalto – sede do governo - , e os prédios dos ministérios.
Criada em poucos anos, Brasília fazia parte dos planos de Kubitschek de desenvolver o centro despovoado do Brasil, transferindo a capital do Rio de Janeiro para o planalto central. O projeto de Lúcio Costa também vinha ao encontro com as ideias do então presidente e com os conceitos modernistas da cidade: o automóvel no topo da hierarquia viária e blocos de edifícios afastados, facilitando o deslocamento através da cidade.
Niemeyer define Brasília com as seguintes palavras: “quem for a Brasília, pode gostar ou não dos palácios, mas não pode dizer que viu antes coisa parecida. E arquitetura é isso – invenção”
Hoje em dia, Brasília cresceu muito e o plano piloto em forma de avião, projetado por Lúcio Costa, não é suficiente para acomodar a população que não para de aumentar. A maioria da população vive hoje em cidades-satélite, mais distantes do centro e com um custo de vida bem inferior ao de Brasília. Apenas uma pequena parcela dos habitantes vive na área projetada por Costa.
Em 2007, ano em que completou 100 anos, o arquiteto foi homenageado e recebeu condecorações do governo da França e da Rússia. Fora do Brasil Niemeyer começou a projetar um centro cultural que leva seu nome, na cidade de Avilés em Asturias, na Espanha. Infelizmente, no mesmo dia de seu aniversário, nesse ano, o arquiteto recebeu a notícia de que o Centro fechará suas portas, pois o governo de Asturias acusa os administradores de gastos excessivos.
Ainda em 2007, ele deu início às obras do complexo da Cidade Administrativa de Minas Gerais, com a construção de uma praça cívica e cinco edificações. O término das obras se deu em março de 2010.
Outro aspecto que chama a atenção na vida de Niemeyer é seu envolvimento político. Em 1945, já conhecido como arquiteto, ele filiou-se ao Partido Comunista Brasileiro (PCB) e empresou a Luís Carlos Prestes a casa que usava como escritório para que fosse montado o comitê do partido. Durante alguns anos de ditadura militar no Brasil, Niemeyer se exilou na França e visitou a União Soviética, firmando laços com diversos líderes socialistas. Em 2007, o arquiteto presenteou o então líder de Cuba, Fidel Castro, com uma escultura antiamericana uma figura monstruosa ameaçando um homem que se defende empunhando uma bandeira de Cuba. Fidel já fez referência a Niemeyer diversas vezes, inclusive em sua carta de renúncia em 2008, quando afirmou que assim como o arquiteto, pensava que se deve ser consequente até o final.
Sua fama de comunista, porém, contrasta com o elevado custo de suas obras. Em 2007, ele foi convidado para redesenhar o prédio do Detran de SP, de sua autoria, para abrigar instalações da USP. O orçamento da obra, entretanto, ficou acima da verba disponibilizada pelo poder público: R$ 120 milhões. Ainda nesse ano, ele cobrou R$ 7 milhões para projetar a nova sede do Tribunal Superior Eleitoral em Brasília.